A VIDA ALÉM DA MORTE - ESTUDO DE UM PSIQUIATRA

 

“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” Paulo (l Cor, 15:55.)
 
Em 1998 foi lançado no Brasil o livro A Roda da Vida: memórias do viver e do morrer, da psiquiatra americana Elisabeth Kübler-Ross, que faz nesta obra sua autobiografia. A partir de determinada fase de sua vida profissional como médica, a Dra. Kübler-Ross se lançou como pioneira na investigação do fenômeno da morte e do morrer, especificamente em pacientes terminais. E após décadas de pesquisas, entrevistas, livros publicados e a vivência do dia-a-dia com a dor daqueles que estão morrendo, chega à seguinte conclusão: a morte não existe!
Para nós, espíritas, é uma afirmação mais do que natural. Mas, Elisabeth Kübler-Ross sofreu muitas perseguições e preconceitos a partir dessa postura, principalmente dos colegas de profissão. Nessas memórias é relatado todo o seu processo de descoberta da inexistência da morte, tendo participado de várias reuniões de intercâmbio mediúnico a partir dos anos 70, nas quais encontrou o estímulo dos seus amigos desencarnados para continuar sua principal tarefa: dizer ao mundo que a morte não existe.
Em determinado trecho do seu livro, no capítulo intitulado “A Vida Além da Morte”, relata que apesar de ter tratado durante vários anos de doentes terminais e com eles convivido, não acreditava na vida depois da morte. Mas, os fatos viriam provar o contrário.
Por volta de 1973 a Dra. Kübler-Ross, junto com seus assistentes, tinham entrevistado, aproximadamente, vinte mil pessoas à beira da morte. O interessante é que os relatos eram muito semelhantes. A partir deles chegou a uma nova definição de morte diferente da definição tradicional como o fim de tudo. Passou a considerar como prova a de que o homem possui (ou é) um Espírito (ou alma) e que além da existência física, algo sobrevivia e continuava. De acordo com suas entrevistas notou que o processo do morrer ocorria em diversas fases distintas, as quais resumiremos e nos fixaremos na fase 4, que mais especialmente nos interessa.
Na fase 1 (segundo seu relato) as pessoas, em determinado momento, flutuavam fora de seus corpos e presenciavam tudo o que se passava ao redor, inclusive ouvindo o que outras pessoas falavam entre si, testemunhando, após a volta ao corpo físico, o que tinham presenciado e escutado.
Na fase 2, elas se sentiam extremamente reconfortadas ao descobrirem que nenhum ser humano morre sozinho, encontrando amigos, familiares ou aqueles que denominavam como seus guias.
Na fase 3, guiados por seus “anjos da guarda”, os pacientes se viam entrando por lugares descritos como túneis, portões intermediários, pontes, desfiladeiros de montanhas, vales etc.
Na fase 4, Elisabeth relata que: “Neste estágio as pessoas passavam por uma revisão de suas vidas, um processo no qual se viam diante da totalidade de suas vidas.
Repassavam cada ação, palavra e pensamento. As razões de cada uma de suas decisões, pensamentos e ações tornavam-se compreensíveis. Viam como suas ações tinham afetado outras pessoas, até pessoas desconhecidas. Viam o que suas vidas poderiam ter sido, o potencial que tinham. Era mostrado a elas de que modo as vidas de todas as pessoas estão entrelaçadas, que cada pensamento e ação tem o efeito de uma ondulação e que esta atinge todas as outras formas de vida do planeta.”

Vemos em seus relatos um paralelo importante com a Doutrina Espírita. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos2 na questão 306, pergunta aos Benfeitores espirituais:
306. O Espírito se lembra, pormenorizadamente, de todos os acontecimentos de sua vida? Apreende o conjunto deles de um golpe de vista retrospectivo?
R: Lembra-se das coisas, de conformidade com as conseqüências que delas resultaram para o estado em que se encontra como Espírito errante (...).
Nos itens a e b, da mesma questão, os Espíritos benfeitores mostram que a lembrança de muitos acontecimentos em suas minudências é de grande importância para nós, desde que tenha utilidade. A pessoa compreende a necessidade de sua purificação em cada existência, ou seja, o esforço para melhorar-se moral e intelectualmente. Na questão 307 continua:
307. Como é que ao Espírito se lhe desenha na memória a sua vida passada? Será por esforço da própria imaginação, ou como um quadro que se lhe apresenta à vista?
R: De uma e outra formas. São-lhe como que presentes todos os atos de que tenha interesse em lembrar-se (...).
Esse fenômeno, percebido por Elisabeth Kübler-Ross em quase todas as suas entrevistas, vai encontrar um respaldo mais detalhado em diversos relatos contidos nos livros do Espírito André Luiz, que chamaremos de visão panorâmica pós-morte.
Em uma de suas obras3, na desencarnação de Dimas, o assistente Jerônimo, junto de André Luiz, efetuando o desligamento final, assevera:
“(...) Por enquanto, repousará ele na contemplação do passado, que se lhe descortina em visão panorâmica no campo interior.”
As narrativas e os relatos efetuados pelos pacientes da Dra. Kübler-Ross vêm confirmar as respostas dadas pelos Espíritos responsáveis pela codificação do Espiritismo:
a de que a morte não existe e que a vida continua. Acrescentando, ainda, que no instante do trânsito para “o lado de lá” somos convidados a um exame de todas as nossas atitudes na última existência, bem como das conseqüências de nossas ações e omissões. Conforme nos aponta o Espírito Emmanuel, com as palavras da sabedoria e da experiência:
“(...) a maior surpresa da morte carnal é a de nos colocar face a face com a própria consciência, onde edificamos o céu, estacionamos no purgatório ou nos precipitamos no abismo infernal (...).” 4
 
Referências Bibliográficas:
1. KÜBLER-ROSS, Elisabeth. A Roda da Vida. GMT: Rio de Janeiro: 1998, parte III, p. 214.
2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 83. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2002, Parte 2a, cap. VI, item “Recordação da existência corpórea”.
3. XAVIER, Francisco Cândido. Obreiros da Vida Eterna, pelo Espírito André Luiz. 2. ed. especial, Rio de Janeiro: FEB, 2003, cap. 13, p 233.
4. Nosso Lar, pelo Espírito André Luiz, 2. ed. especial, Rio de Janeiro: FEB, 2003, “Novo amigo”, p. 9.

Fonte: O Reformador – set/2004

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 02:08